segunda-feira, 3 de março de 2008

Século XX, raiz dos filósofos do sec.XXI

Miguel Baptista Pereira
António Pedro Pita
João Maria André
Quem são?

Quem o conheceu e o teve como mestre não tem dúvidas. Miguel Baptista Pereira foi um dos grandes vultos da Filosofia em Portugal. O professor jubilado da FLUC faleceu segunda-feira.Miguel Baptista Pereira, uma das grandes referências do século XX português na área da Filosofia, professor jubilado da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, faleceu segunda-feira com 77 anos. Em câmara ardente na capela da Universidade de Coimbra desde ontem, o seu funeral sairá hoje, às 10H30, para o cemitério de Bagunte, Vila do Conde, de onde era natural.Personalidade marcante para todos os que com ele conviveram, Miguel Baptista Pereira cultivou durante toda a sua vida uma postura de afastamento das "grandes tribunas da fama pelas quais nutria um explícito e assumido desprezo", como fez questão de sublinhar João Maria André, seu discípulo e depois seu par no Instituto de Estudos Filosóficos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.E só por essa razão, como todos reconhecem, o professor de Filosofia que nunca abandonou colegas ou alunos, mesmo em tempo de repressão e sob a ameaça de represálias, não tem hoje direito à mais larga mediatização da sua influência e pensamento.Nascido a 10 de Maio de 1929 em Bagunte, Vila do Conde, Miguel Baptista Pereira fez os seus primeiros estudos estudos no Seminário de Braga, onde foi ordenado sacerdote. Ingressando alguns anos depois na Universidade de Comillas, em Santander, Espanha, chegou a Coimbra para concluir a licenciatura em Filosofia. Já na Faculdade de Letras, Miguel Baptista Pereira foi o arguente da tese de José Afonso.Tendo prosseguido os seus estudos na Alemanha, defendeu a sua tese de doutoramento em 1967, num texto – "Método e Filosofia em Pedro da Fonseca" – que foi um "ajuste de contas com todo o pensamento ocidental".Contratado como professor na Faculdade de Letras, na década de 60 tomou sempre o partido dos estudantes contra a repressão instalada, à semelhança de amigos como Orlando de Carvalho, Victor de Matos ou Paulo Quintela, o que viria a valer-lhe um forte travão na carreira.Após o 25 de Abril, Miguel Baptista Pereira pertenceu aos órgãos directivos da Faculdade de Letras e a sua obra passou por publicações como a Biblos e a Revista Filosófica de Coimbra. Conselheiro da Gulbenkian, o professor deu nome a um prémio anual da Fundação Engenheiro António de Almeida. Aquando da sua jubilação, foram publicadas duas obras: "Ars Interpretandi – Diálogo e Tempo" e "O Homem e o Tempo".
Lídia Pereira

Declarações:
Na figura de Miguel Baptista Pereira e no modo particular que assumiu a sua intervenção, na Faculdade de Letras e fora dela, ao longo de muitos anos, concentram-se o presente e o futuro, vividos ou pressentidos, reais ou utópicos, da Universidade portuguesa, da ideia de Universidade e da importância histórica da filosofia.Mas não é fácil uma síntese de poucas linhas. Se a Hermenêutica, que constitui o terreno filosófico onde se instalou, obriga a uma permanente reavaliação do passado em busca do que nele ainda permaneça inconcluso ou impensado, é uma análise radical do presente em permanente tensão para o futuro que constitui o tema favorito do seu trabalho e confere coerência à sua intervenção, pelos menos desde os meados da década de 60: como texto seminal, uma obra de Heidegger, Ser e Tempo; como problemática essencial, o conceito de "experiência", onde o pensamento é interpelado pelo real e responde; como preocupação decisiva, a distinção entre o que no presente ainda transporta o passado ou já prefigura o futuro; como lugar por excelência de exercício desta análise, a Universidade, sempre, mesmo quando, nos seus melhores momentos, aspirava revolucionar-se. Os seus alunos puderam conhecer autores fundamentais antes de se tornarem moda (Adorno, Benjamin, Gadamer, Hanna Arendt) porque Miguel Baptista Pereira manteve intacta uma relação com a novidade e com o futuro, que resultava directamente de uma funda, séria e, diria, cândida confiança no pensamento e na filosofia, que o levou a empenhar-se seriamente na reforma dos estudos filosóficos, marcando época. Uma confiança que, por outro lado, (ou é o mesmo?) alimentava a melancolia e a esperança, a alegria e o riso, a candura e a revolta de tantas palavras, atitudes, gestos, olhares. Hoje, é tudo isto que nos deixa um pouco menos sós.
António Pedro Pita

Miguel Baptista Pereira foi um mestre e um amigo para gerações e gerações de estudantes e de docentes que passaram pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Aliava a uma densa e profunda informação cultural e filosófica uma excelente e singular capacidade de pensar e uma notável aptidão para ensinar. Foi com ele que muitos de nós aprendemos a pensar filosoficamente o mundo, a vida, o homem e o tempo. Quem teve a oportunidade de seguir as suas aulas, de acompanhar a sua intensa produção filosófica ao longo de décadas e de conviver com o seu sentido crítico do pensamento e da realidade não pode deixar de lamentar o desaparecimento de um dos maiores vultos filosóficos do pensamento português na segunda metade do século XX. Nenhum momento da História da Filosofia, desde a Antiguidade à Época Contemporânea, nenhuma das grandes disciplinas filosóficas, com especial incidência na Hermenêutica, na Antropologia, na Ética e na Filosofia da Cultura, ficaram fora da sua investigação e do pensamento que desenvolveu nos seus livros e, sobretudo, em dezenas e dezenas artigos de notável densidade e penetração. Além disso, atento ao homem concreto, à vida e à sociedade, foi sempre um combatente pela liberdade, de pensamento e de acção, e, por isso, quando as circunstâncias eram adversas nunca deixou de estar ao lado de estudantes e colegas na luta contra o regime ditatorial que o 25 de Abril conseguiu vencer. Só a sua aversão às grandes tribunas da fama pelas quais nutria um explícito e assumido desprezo fez com que não seja hoje amplamente reconhecido a nível nacional como aquilo que realmente é: um dos maiores vultos da Filosofia em Portugal no século XX.Mas quem com ele conviveu e teve o privilégio de o ter como amigo guarda ainda outras marcas gratas da sua presença: a generosidade, o entusiasmo e a alegria de viver. É não apenas no pensamento que nos legou, mas nessa memória festiva que ele hoje continua também dentro de nós.
João Maria André

domingo, 2 de março de 2008

Filósofos do sec. XXI

"A preferência do ser ao não-ser da existência funda-se precisamente numa experiência de sentido incondicionado, que possa prevalecer sobre a dor. a insipidez da existência ou a própria morte."

Miguel Baptista Pereira, Experiência e Sentido

sábado, 23 de fevereiro de 2008

A DÉCADA DE DEZ



A década de 1910 (ou simplesmente "década de 10") foi um período marcante da história mundial. Nesta época ocorreu a Primeira Guerra Mundial e o início da Revolução Russa, que instituiria o comunismo naquele país.
Nesta época popularizou-se a rádio como média de massas e também o
automóvel como meio de transporte, com a indústria à época dominada pela Ford.
Foi também uma época de alta secularização na Europa, ao mesmo tempo que vários movimentos filosóficos como o Pentecostalismo e o Esoterismo (Teosofia,
Rosacrucianismo, etc.) cresciam na América. Cresciam também os movimentos artísticos modernistas, especialmente na pintura (cubismo, dadaísmo) e na música (dodecafonismoo, jazz).



Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre




















Recolha informações sobre uma das palavras sublinhadas no texto de apresentação desta DÉCADA.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

IMPLANTAÇÃO DA REPÚBLICA 5 DE OUTUBRO 1910






Postal com retratos dos ministros do Governo Provisório saído da revolução republicana. Em cima, da esquerda para a direita: Bernardino Machado, António José de Almeida, Azevedo Gomes, Correia Barreto e António Luís Gomes; em baixo, da esquerda para a direita: Afonso Costa, Teófilo Braga e José Relvas.

(Documentos Carvalhão Duarte/ Fundação Mário Soares)



quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

A IMPLANTAÇÃO DA PRIMEIRA REPÚBLICA

Documentos
·
[Revolução Republicana]
"Lisboa amanheceu hoje ao som do troar da artilharia. Proclamada por importantes forças do exército, por toda a armada e auxiliada pelo concurso popular, a República tem hoje o seu primeiro dia de Hisória. A marcha dos acontecimentos, até à hora em que escrevemos, permite alimentar toda a esperança de um definido triunfo [...] não se faz ideia do entusiasmo que corre na cidade. O povo está verdadeiamente louco de satisfação. Pode dizer-se que toda a população de Lisboa está na rua vitoriando a república." (Jornal O MUNDO de 5 de Outubro de 1910)

· [Implantação da Republica]
"O Governo Provisório da República Portuguesa saúda as forças de terra e mar, que com o povo instituiu a Republica para felicidade da Pátria. Confio no patriotismo de todos. E porque a Republica para todos é feita, espero que os oficiais do Exército e da armada que não tomaram parte no movimento se apresentem no Quartel General, a garantir por sua honra a mais absoluta lealdade ao novo regime." (Edital da Proclamação da República (Teófilo Braga), Lisboa, 5 de Outubro de 1910)

"Hoje, 5 de Outubro de 1910, às 11 horas da manhã, foi proclamada a República em Portugal na Sala Nobre do Município de Lisboa, depois de ter terminado o movimento da revolução nacional. Constituiu-se imediatamente o Governo Provisório sob a Presidência do Dr. Teófilo Braga" (Diário do Governo, 6 de Outubro de 1910)

Sugestões de trabalhos: comentar os documentos; elaboar pequenas biografias dos protagonistas deste movimento, a cronologia dos dias da revolução, as organizações e partidos políticos intervenientes neste processo, seleccionar imagens que ilustrem este acontecimento e outros que vocês imaginem.

A Implantação da República em Portugal




O Que Foi o 5 de Outubro?











Nos dias 4 e 5 de Outubro de 1910 alguns militares da Marinha e do Exército iniciaram uma revolta nas guarnições de Lisboa, com o objectivo de derrubar a Monarquia. Juntamente com os militares estiveram a Carbonária e o as estruturas do PRP (Partido Republicano Português). Na tarde desse dia, José Relvas, em nome do Directório do PRP, proclamou a República à varanda da Câmara Municipal de Lisboa. No dia 6 o novo regime foi proclamado no Porto e, nos dias seguintes, no resto do país. Em Braga foi-o no dia 7, tendo tomado posse da Câmara o Dr Manuel Monteiro.
A queda da Monarquia já era de esperar. Dois anos antes D. Carlos e D. Luíz Filipe haviam sido assassinados por activistas republicanos. O reinado de D. Manuel II tentou apaziguar a vida do país sem sucesso. Foi um reinado fraco e inexperiente. Apesar de o 5 de Outubro não ter sido uma verdadeira revolução popular, mas sobretudo um golpe de estado centrado em Lisboa, a nova situação acabou por ser aceite no país e poucos acreditaram na possibilidade de num regresso à Monarquia.
Seguiu-se um período de democracia republicana, caracterizado por forte instabilidade política, conflitos com a Igreja, mas também grandes progressos na educação pública. A chamada I República Portuguesa terminou em 1926, com o golpe de 28 de Maio, a que se seguiram muitos anos de ditadura.
Após o 5 de Outubro foi substituída a bandeira portuguesa. As cores verde e vermelho significam, respectivamente, a esperança e o sangue dos heróis. A esfera armilar simboliza os Descobrimentos, os sete castelos representam os primeiros castelos conquistados por D. Afonso Henriques, as cinco quinas significam os cinco reis mouros vencidos por este Rei e, finalmente, os cinco pontos em cada uma as cinco chagas de Cristo. O hino A Portuguesa , composto por Alfredo Keil tornou-se o hino nacional.










Para que a primeira década do século XX fique mais rica, temos que trabalhar a História de Portugal e dar destaque à Implantação da República em 1910.


Este é o trabalho que vos proponho para o primeiro mês de 2008. Começar o ano com uma REVOLUÇÃO.


TRABALHOS CURTOS, MAS PESSOAIS!!! FIM AO COPY/PAST!

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Recordando a primeira década do século XX





Para os alunos de História das turmas D e E do 10º Ano

Recordando a primeira década do século XX

Os primeiros anos do século XX serão sempre recordados como tempos de paz e de crença no progresso que conduziria à felicidade dos Europeus.

Foi com Esperança que se entrou no século XX. Uns esperavam manter as suas grandes fortunas, enquanto outros, vivendo abaixo dos limites da pobreza, aguardavam melhores condições de vida.

Os jornais circulavam ao mesmo tempo que aumentava o número de leitores; os artistas plásticos enveredavam por novos caminhos, rompendo com o tradicionalismo e o academismo; o Manifesto Futurista de Marineti glorificava as máquinas e a ciência moderna; Einstein preparava a revolução na Física; Freud desvendava os mistérios do subconsciente humano. Ciência e Tecnologia avançavam lado a lado, exibindo-se em exposições industriais ou colocando Louis Blériot, num monoplano, a atravessar pela primeira vez o Canal da Mancha enquanto, no outro lado do Atlântico, o Ford T se tornava o primeiro automóvel popular.

A cultura de massas afirmava-se com a intensidade e a emoção que desperta o cinema, o desporto, a rádio, os folhetins ou os livros de aventuras.

Esta foi uma década de fascínio, de sonho, de magia. Quem a viveu irá recordá-la como um tempo irrepetível destruído pelas atrocidades que se abateram sobre a Europa, na década seguinte, durante a Grande Guerra.

Trabalho – Ilustrar a primeira década do século XX com Cronologias (principais acontecimentos, inventos, científicos e técnicos, movimentos artísticos) e com a biografia de personalidades marcantes desta década.